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Blog · Financiamento e execução

IFIC — Linha «IA nas PME»: as candidaturas fecharam. O trabalho difícil começa agora.

Cem milhões de euros aprovados, 75% a fundo perdido e um prazo de execução de 24 meses a correr. Para as empresas aprovadas, a pergunta deixou de ser como obter o apoio — e passou a ser como transformá-lo em IA que funciona.

Braive··7 min de leitura

Estado atual · setembro de 2026

As candidaturas à Linha «IA nas PME» do IFIC encerraram a 28 de novembro de 2025 e não existe, à data, um novo aviso aberto. O Aviso n.º 07/C05-i14.01/2026 é uma republicação do concurso já encerrado, não um novo período de candidaturas.

Se chegou aqui à procura de financiamento para começar agora um projeto de IA, é melhor sabê-lo já: esta linha não é onde o vai encontrar. As duas fases de candidatura decorreram entre setembro e novembro de 2025 e fecharam.

Mas há cem milhões de euros e centenas de empresas portuguesas numa situação bem diferente: já aprovadas, com o apoio garantido, e com um prazo de execução a correr. Para essas, o problema deixou de ser obter financiamento e passou a ser transformar um orçamento aprovado em IA que funciona, dentro do prazo. É aí que está a maior parte do trabalho real — e é aí que a maioria fica presa.

A linha está aberta? Não. E o aviso de 2026 não é um novo concurso.

A Linha «IA nas PME» faz parte do IFIC — Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade, integrado no PRR e gerido pelo Banco Português de Fomento. Foi criada pela Portaria n.º 286/2025/1, de 14 de agosto, e aberta pelo Aviso n.º 03/C05-i14.01/2025.

As candidaturas decorreram em duas fases: a primeira de 30 de setembro a 31 de outubro de 2025, a segunda de 31 de outubro a 28 de novembro de 2025. Ambas encerraram.

Existe um Aviso n.º 07/C05-i14.01/2026 — e o «2026» no número leva muitas empresas a assumir que há uma nova janela aberta. Não há: é uma republicação do mesmo concurso encerrado.

Vale a pena ter isto claro antes de investir tempo a preparar documentação. A procura, de resto, foi enorme: o IFIC no seu conjunto recebeu mais de cinco mil candidaturas, com cerca de 2,7 mil milhões de euros de investimento solicitado.

O que a Linha «IA nas PME» financia

Para quem foi aprovado, vale a pena rever o que está no âmbito elegível — porque é aqui que se decide como o orçamento pode ser usado:

Dotação total do aviso
100 M€
Apoio máximo por empresa
300.000 €
Taxa de financiamento
75% a fundo perdido
Investimento elegível mínimo
5.000 €
Contratação de técnicos (até 2)
80.000 € / posto
Prazo de execução
24 meses (+6)

São elegíveis, entre outras:

  • Aquisição de equipamento e componentes necessários à incorporação de soluções de IA
  • Aquisição de software, incluindo custos de subscrição em regime Software as a Service
  • Contratação de até 2 técnicos ou gestores de plataforma dedicados ao projeto durante 24 meses, até 80.000 € por posto criado
  • Aquisição de serviços de consultoria e/ou formação essenciais à integração das soluções
  • Despesas com contabilista certificado ou revisor oficial de contas para validação de despesa, até 2.500 €

São elegíveis despesas realizadas a partir de 1 de janeiro de 2025. Aquele penúltimo ponto — consultoria e formação para integração — é o que a maioria dos projetos aprovados ainda não tem resolvido. Comprar licenças é fácil. Fazer com que mudem a forma como as equipas trabalham é outra coisa.

O prazo real: 24 meses, mais 6 em casos justificados

O prazo de execução é de até 24 meses, com possibilidade de prorrogação de 6 meses em casos devidamente justificados. Parece muito. Não é — e a razão é que o tempo não se gasta a implementar, gasta-se a decidir.

Ter o apoio aprovado resolve o problema do dinheiro. Não resolve nenhum destes:

  • Por onde começar. Que processos automatizar primeiro, com que impacto mensurável, e quais deixar de fora.
  • Como não ficar preso a demonstrações. É fácil mostrar um piloto bonito. É difícil pôr um sistema em produção, com dados reais, aprovação humana e sem quebrar o que já funciona.
  • Como preparar as equipas. Um subsídio não ensina ninguém a usar IA no dia a dia. Isso exige capacitação estruturada, por função e por nível de responsabilidade.
  • Como medir antes de o prazo se esgotar. Sem um método de diagnóstico estruturado, perdem-se meses só a decidir o que fazer — e o resultado só aparece quando já não há margem para corrigir.

O travão que o dinheiro não resolve

Isto não é uma impressão nossa. Quando o INE perguntou às empresas portuguesas que ainda não usam IA o que as trava, a resposta mais frequente — com 74,4% — não foi o custo. Foi a falta de conhecimentos adequados dentro da empresa. O custo veio a seguir, com 60,4%.

Gráfico de barras dos travões à adoção de IA nas empresas portuguesas segundo o INE em 2025. Falta de conhecimentos adequados na empresa lidera com 74,4%, seguida de custos demasiado elevados com 60,4%.
O que trava a adoção de IA nas empresas portuguesas, 2025. Fonte: INE. Gráfico: Braive.

É uma coincidência útil: o apoio do IFIC resolve o travão nº2 e considera elegível exatamente aquilo que resolve o travão nº1 — consultoria e formação. Empresas que usam o orçamento apenas em licenças ficam com o problema principal por resolver e com o dinheiro gasto.

Escrevemos sobre estes dados em detalhe em porque é que só 11,5% das empresas portuguesas usam IA.

Como se executa: o nosso processo

Sejamos diretos sobre o que fazemos e o que não fazemos. Não elaboramos candidaturas a incentivos nem fazemos gestão documental de processos de financiamento — há consultoras especializadas nesse trabalho e fazem-no melhor. O nosso trabalho começa depois da aprovação.

Trabalhamos em quatro fases. As janelas temporais abaixo são indicativas e assumem um prazo de execução de 24 meses a contar do início do investimento:

01

Diagnóstico

Semanas 1–4

Mapeamos processos, volumes, sistemas e onde está realmente o custo. O resultado é uma lista curta de casos de uso com retorno estimável — e, tão importante, a lista do que não vale a pena fazer. Muitos projetos falham por tentarem tudo ao mesmo tempo.

Enquadramento elegível: Consultoria essencial à integração

02

Desenho

Semanas 4–8

Definimos a arquitetura, as integrações com os sistemas que já existem, o modelo de governance (que decisões ficam com a máquina, quais exigem aprovação humana) e o plano de formação por função. É aqui que se fixa o que vai ser medido.

Enquadramento elegível: Consultoria + desenho do plano de formação

03

Execução

Meses 3–18

Implementação em produção, integrada na operação — não um piloto isolado. Entregas faseadas, cada uma a entrar em funcionamento antes de começar a seguinte, para que haja resultado medível bem antes do fim do prazo.

Enquadramento elegível: Software e subscrições SaaS + consultoria + técnicos dedicados

04

Evolução

Meses 12–24

Capacitação transversal das equipas, medição de adoção real e transferência de conhecimento. O objetivo é que, no fim do apoio, a utilização não dependa de nós nem de uma única pessoa interna.

Enquadramento elegível: Formação essencial à integração das soluções

A lógica é simples: entregar valor medível cedo, em vez de um projeto único que só produz resultado no mês 22 — quando já não há prazo para corrigir o que correu mal.

Um diagnóstico honesto tem de poder concluir que não vale a pena avançar com determinado caso de uso. Se todas as conclusões apontarem para comprar mais software, o diagnóstico não foi diagnóstico nenhum.

O que aí vem: os pilotos de outubro

Para quem não se candidatou, a história não acaba aqui. O ministro da Economia, Castro Almeida, anunciou na Comissão de Economia e Coesão Territorial da Assembleia da República que arranca em outubro, na região de Leiria, um projeto-piloto de formação em IA para cerca de 100 trabalhadores de várias empresas — um modelo destinado a ser escalado.

Na Marinha Grande será organizada uma ação-piloto no setor dos moldes, com formação a cinco ou seis empresas, para perceber como a IA pode beneficiar o processo produtivo em operações industriais concretas. A meta declarada é chegar a cerca de 100 mil trabalhadores de micro, pequenas e médias empresas, «do Minho ao Algarve».

O mesmo ministro referiu que centenas de médias e grandes empresas já estão a ser financiadas através do IFIC, com mais de 400 milhões de euros aplicados na introdução de inteligência artificial nas organizações.

A leitura para quem ficou de fora: novas linhas de apoio tendem a surgir quando estas iniciativas ganham tração. Vale a pena preparar o terreno agora — saber que casos de uso fazem sentido no seu negócio — para estar pronto quando a janela reabrir, em vez de começar a pensar nisso no dia em que o aviso sair.

Perguntas frequentes

A Linha «IA nas PME» do IFIC ainda está aberta?+

Não. As candidaturas decorreram em duas fases e encerraram a 28 de novembro de 2025. À data de setembro de 2026 não existe um novo aviso aberto para esta linha.

O que é o Aviso n.º 07/C05-i14.01/2026? É um novo concurso?+

Não é um novo concurso. O Aviso n.º 07/C05-i14.01/2026 é uma republicação do Aviso n.º 03/C05-i14.01/2025, o concurso que encerrou em novembro de 2025. A referência a 2026 no número do aviso leva muitas empresas a pensar que existe uma nova janela de candidaturas, o que não corresponde à situação atual.

Quanto é o apoio da Linha «IA nas PME»?+

O aviso tem uma dotação total de 100 milhões de euros, com financiamento não reembolsável a uma taxa única de 75% das despesas elegíveis e um limite de 300.000 euros por empresa, ao abrigo do regime de minimis. O investimento elegível mínimo por projeto é de 5.000 euros.

Qual é o prazo para executar o apoio do IFIC?+

O prazo de execução é de até 24 meses, podendo ser acrescido de 6 meses em casos devidamente justificados. São elegíveis as despesas realizadas a partir de 1 de janeiro de 2025.

A consultoria e a formação são despesas elegíveis no IFIC?+

Sim. O aviso considera elegível a aquisição de serviços de consultoria e/ou formação essenciais à integração das soluções de inteligência artificial, a par da aquisição de equipamento e software (incluindo subscrições SaaS) e da contratação de até dois técnicos dedicados ao projeto, até 80.000 euros por posto de trabalho criado.

Vai haver uma nova linha de apoio à IA para PME?+

Não há, à data, um novo aviso anunciado para esta linha. O Governo sinalizou porém a intenção de escalar o incentivo ao uso de IA a nível nacional, com ações-piloto de formação a arrancar em outubro na região de Leiria e na Marinha Grande, e uma meta de chegar a cerca de 100 mil trabalhadores.

A Braive trata de candidaturas a incentivos?+

Não. Não elaboramos candidaturas nem fazemos gestão documental de incentivos — há consultoras especializadas nesse trabalho. O nosso trabalho começa depois da aprovação: diagnóstico, desenho, implementação em produção e capacitação das equipas.

Próximo passo

Já tem o apoio aprovado e o prazo a correr?

Se a sua empresa tem apoio do IFIC aprovado e ainda não decidiu como o vai executar — ou já começou e sente que o prazo está a correr mais depressa do que os resultados — falemos. Começamos por um diagnóstico, não por uma proposta de software.

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Fontes: Aviso n.º 03/C05-i14.01/2025 e republicação n.º 07/C05-i14.01/2026, Linha «IA nas PME», Recuperar Portugal / PRR. Portaria n.º 286/2025/1, de 14 de agosto. Banco Português de Fomento, IFIC — Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade. INE, Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas Empresas, 2025. Declarações do ministro da Economia na Comissão de Economia e Coesão Territorial da Assembleia da República. As condições do aviso são apresentadas a título informativo; confirme sempre os termos aplicáveis ao seu processo junto da entidade gestora.